Segundo os testes de colisão da DECO, não faz sentido aconselhar uma posição em detrimento da outra. Opte por cadeiras com um elevado nível de segurança global.

Várias organizações e estudos aconselham as crianças até aos 4 anos a viajarem sentadas nas cadeiras auto no sentido inverso ao da marcha, incluindo a Direção-Geral da Saúde (segundo Orientação n.º 001/2010, de 16 de setembro de 2010). Mas os seus conselhos não se baseiam em testes de colisão que retratem fielmente os acidentes de automóveis nas nossas estradas.

Os ensaios da DECO são o mais abrangentes possível, englobando cenários de colisão frontal e lateral, erros de instalação e conforto da criança. São ainda testes mais exigentes do que as normas em vigor, pois a prioridade é a segurança dos consumidores. Há mais de 15 anos que a DECO realiza  testes a cadeiras auto e investigações regulares a Sistemas de Retenção para Crianças (SRC), ao abrigo das orientações da Internacional Consumer Research and Testing (ICRT). Ao nível europeu, esta é a única entidade independente que executa testes de colisão, e sobre os quais a DECO baseou as suas recomendações. A Associação de defesa dos Consumidores é a única organização que aconselha cadeiras auto com base em testes de colisão.

Mais papistas do que o Papa

O programa de teste aplicado aos SRC em laboratórios especializados tem em consideração não só as normas aplicáveis – que permitem o processo de homologação legal de uma cadeira auto – mas também as reais condições de utilização do produto, definido em protocolo próprio.

Este programa é mais rigoroso e mais exigente do que os regulamentos ECE 44 ou R129, usados para a homologação legal das cadeiras auto. Por exemplo, foi simulada uma colisão frontal a 64 km/hora e uma lateral a 25 km/hora. Baseados nas desacelerações detetadas nos testes (realizados pelo EuroNCAP, do qual a DECO é membro fundador), foi considerado que o protocolo de teste para homologação legal das cadeiras auto deveria ser mais exigente ao nível das velocidades de ensaio, que são inferiores às que são normalmente utilizadas, logo, menos realistas. Por isso, foram adotadas condições mais exigentes de testes em busca de maior segurança.

Várias fontes têm difundido a informação de que o transporte das crianças em SRC virado para trás é melhor em todos os sistemas. Mas, segundo os testes da DECO, esta generalização não se aplica a todas as cadeiras auto. Em teoria, numa colisão frontal, a criança (ou qualquer ocupante do veículo) estará mais bem protegida se for transportada na posição virada para trás. Mas, num acidente real, nem sempre as colisões são totalmente frontais e nem todos os SRC têm qualidade de construção que garanta a mínima proteção.

Segundo dados do relatório de sinistralidade de 2017 da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, apenas 19% das colisões com vítimas são frontais. Existem muitos outros tipos de acidentes, com forças laterais ou inversas, além das frontais. Assim, a prestação global de um SRC deve ser avaliada considerando o maior número possível de condições de acidentes e efeitos produzidos por forças com as duas componentes: frontais e laterais.

É de considerar ainda a importância do cuidado do condutor durante a viagem. Uma condução segura ajuda essencialmente a evitar colisões frontais. Mas as colisões laterais ou traseiras implicam um maior grau de imprevisibilidade e incapacidade de controlo sobre quem está ao volante e sofre um acidente provocado por terceiros.

Outros fatores que ajudam a salvar uma vida

A qualidade de construção é outro fator a considerar. Modelos e sistemas que, à partida, deveriam apresentar melhores prestações de segurança falharam nos testes da DECO por diversas razões. Por exemplo, no caso do Isofix, há modelos que fixos apenas com o cinto de segurança protegem mais do que instalados com a plataforma Isofix. E há modelos SRC com instalação virada para trás que, por falhas construtivas, não suportam as forças envolvidas na colisão, não garantem a boa fixação da cadeira ao veículo ou se soltam por completo, comprometendo a segurança da criança. A DECO denunciou cadeiras auto perigosas e, nalguns casos, as marcas retiraram os produtos do mercado.