As crianças portuguesas passam demasiado tempo nas creches e tal pode perturbar o seu desenvolvimento. Um alerta lançado recentemente por Sofia Ramalho, vice-presidente da Ordem dos Psicólogos.

Até aos dois anos, os bebés deveriam passar apenas as manhãs na creche e o resto do dia com os pais ou avós, explicou Sofia Ramalho em declarações à agência Lusa. “Já entre os dois e os três anos o horário pode esticar um bocadinho, entre as quatro a seis horas por dia. Ou seja, o tempo vai aumentando progressivamente consoante vão crescendo”, acrescentou a especialista.

No entanto, em Portugal a realidade não é esta, uma vez que as crianças estão na creche o “tempo equivalente a um dia de trabalho de um adulto”, cerca de oito horas por dia. Segundo o relatório “Estado da Educação 2018”, publicado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em média as crianças até aos três anos passam 39,1 horas por semana nos infantários e as crianças com pelo menos três anos permanecem nestes espaços cerca de 38,5 horas por semana.

Sofia Ramalho aponta para a “inexistência de políticas públicas que permitam conciliar a vida profissional com a vida familiar”. A especialista destaca também a importância do equilíbrio das horas passadas na creche e com a família: “É muito importante que possam passar tempo com os pais, sendo que a qualidade da vinculação implica sempre ter tempo, mas actualmente parece haver cada vez menos tempo para estar com as famílias”.

A vice-presidente da Ordem dos Psicólogos acrescenta ainda que quando se cumpre o “tempo óptimo”, a creche tem diversas vantagens, uma vez que permite desenvolver múltiplas relações e a linguagem. Por outro lado, estimula também a socialização, responsabilização, autonomia e a partilha, além de proporcionar um melhor desenvolvimento psicomotor.