Por Geninha Horta Varatojo | Directora do Instituto Macrobiótico de Portugal, fundadora do Instituto Kushi de Portugal, em conjunto com o marido, Francisco Varatojo

Uma alimentação é boa quando é nutritiva, rica e variada, em cereais integrais, legumes, verduras, feijões, algas, sementes, oleaginosas e fruta da época

Na abordagem macrobiótica dá-se primazia a alimentos mais saudáveis, naturais, biológicos e da estação em que nos encontramos. Hoje em dia, um dos maiores erros que se cometem na alimentação das crianças é a ausência de critérios e de consciência daquilo que se come diariamente. Há um excesso de fast food, falta de alimentos de qualidade e comer fora de horas e sem ambiente familiar, onde deveria predominar o convívio e a troca de experiências.

Quanto ao tipo de alimentos, não podemos generalizar, pois as escolhas dependem da condição e estrutura da criança e do seu meio ambiente. No entanto, um prato básico de cereais em grão, legumes diversos, feijões e fruta funciona quase sempre muito bem.

Alimentação variada

É importante a criança comer diariamente cereais integrais ou semi-integrais como arroz, massas, milho, couscous, aveia, cevada, millet, flocos de aveia e outros. Os açúcares presentes nos cereais integrais são açúcares complexos e desdobram-se lentamente no organismo, fornecendo à criança uma energia mais estável e duradoura. Isso reflecte-se também na sua estabilidade emocional.

Muitas das “birrinhas” que parecem vir do nada são, muitas vezes, instáveis níveis de açúcar no sangue, que provocam na criança estados de ansiedade, excitação e irritabilidade. Reduzir a quantidade de açúcar e de carne da sua alimentação fará uma grande diferença no seu estado de espírito. Experimente fazer o teste e observe o resultado.

Legumes como cenouras, abóboras ou cebolas saciam, acalmam e são uma boa qualidade de sabor doce. Brócolos, agriões, nabiças e outros legumes de folha verde são ricos em vitaminas e clorofila. São uma boa fonte de cálcio e dão frescura e flexibilidade à criança.

Alimentos como o grão, as lentilhas, o feijão azuki, os derivados de leguminosas como o tofu ou o tempeh e pequena quantidade de peixe, se preferir, são uma boa fonte de proteína. Pequenas quantidades de algas são riquíssimas em minerais como o cálcio e o ferro. Fruta da época, frutos secos e sobremesas naturais são um bom complemento desta alimentação, refrescam e saciam os desejos de outros doces.

Assim, quando nos alimentamos de uma forma mais saudável e consciente, criamos uma estrutura interna mais estável e equilibrada, que nos ajuda a prevenir doenças, alergias e outros males, quer sejam do foro físico ou psicológico. Ao mesmo tempo favorece toda a nossa forma de estar, de agir e de pensar.

Uma alimentação mais saudável

Torna a vivência das crianças e dos adolescentes mais completa, criativa e feliz.

Somos responsáveis por incutir no espírito das crianças o respeito e o amor por todas as pessoas, animais, plantas e todo o ambiente que as rodeia, para que possam fazer as suas próprias escolhas com maior consciência e discernimento.

A alimentação macrobiótica não é uma dieta, mas sim uma escolha mais consciente, que respeita tanto o ambiente interno de qualquer ser, como o ambiente externo. É também uma questão ecológica. Somos um todo, nós e a Natureza. Esta é a nossa casa, não temos outro lugar para viver e não há nada que possamos deitar fora. Fica tudo cá dentro. Tudo conta e tudo faz a diferença.

Uma alimentação cuidada e centrada em alimentos integrais, biológicos, mais naturais, com diversidade e riqueza, e que esteja de acordo com a condição de cada criança, só poderá trazer bem-estar, saúde e alegria.

Dicas e sugestões

Para a preparação de refeições para crianças e adolescentes:

Dê-lhes sopa de legumes, feijão ou outras, pelo menos uma vez por dia;

Compre pão integral ou outro biológico e de fermentação natural;

Substitua, sempre que possível, os pratos de carne por peixe ou saladas de grão ou feijão, tofu, tempeh ou seitan;

Tenha sempre uma verdura no prato. Opte por brócolos, agrião, feijão-verde, alface, rúcula, ou couve e nabiças, cozidas ou salteadas;

Varie diariamente, se possível, os cereais. O arroz semi-integral não é tão refinado como o arroz branco e as crianças não darão pela diferença. Use couscous, milho fresco, massas integrais e bulgur;

Bebida de arroz, de aveia ou de espelta é uma boa alternativa ao leite de vaca;

Os cereais de pequeno-almoço não devem conter qualquer açúcar refinado. Compre corn flakes, granola ou muesli sem açúcar. Confirme sempre e leia os rótulos. Tenha em atenção que, mesmo em lojas biológicas, existem produtos sem qualquer interesse nutricional;

Prepare sandes com pão pita ou outro pão integral e recheie com tofu, seitan, tempeh, húmus de grão ou de feijão e salada com vinagrete ou maionese caseira;

Inscreva-se num curso de culinária de macrobiótica ou ofereça o curso aos seus filhos. Assim tudo será bastante mais fácil.

Se pretende dar alimento proteico de origem animal, dê preferência a peixe de boa qualidade, sem ser de viveiro ou de aquicultura. Atum de conserva, ao natural e bio, também é uma boa opção para ir variando. Assim, pode substituir o tofu ou seitan, nas sandes, por uma destas opções.

Uma alimentação saudável tem uma influência muito real e positiva na vida de qualquer criança ou adolescente. Acho que é óbvio para todos nós que comer bem, viver num ambiente afectuoso, ter actividade física regular, meditar ou ter contacto com a natureza nos ajudam a manter uma condição interna mais equilibrada, resistente e forte.

Artigo publicado na revista Kids Marketeer nº4 de Junho de 2018.