Cada vez se torna mais fácil fazer compras online e adquirir um produto na internet. Basta um ou dois cliques e já está! Se para os adultos traz maiores facilidades no acesso, para as crianças pode representar riscos de gastarem dinheiro ou partilhar dados pessoais sem realmente terem consciência da importância do que estão a fazer.

São vários os estudos que revelam que cada vez mais as crianças estão conscientes dos benefícios das compras online. Assistimos também à crescente tendência de as vendas online se tornarem na principal forma de fazer compras no futuro.

Com estes avanços tecnológicos, é imperativo que os pais ensinem aos filhos como comprar online para que as crianças tenham uma experiência positiva na Internet e sem riscos de partilharem indevidamente informações importantes.

  1. Quanto vale o dinheiro?

É importante começar por incutir alguns dos mais importantes conceitos sobre educação financeira, tais como o valor do dinheiro, do trabalho, a importância da poupança e de gerir um orçamento familiar. É em idades mais precoces que os hábitos se começam a formar e pode explicar ao seu filho que para adquirir aquele brinquedo ou jogo que tanto quer precisa primeiro de poupar algum dinheiro ou esperar por um mês de maior desafogo.

  1. Os perigos da internet

Converse com as crianças sobre os perigos da Internet como, por exemplo, o cibercrime, cyberbullying ou as fraudes nas compras online. Explique-lhes que nem tudo o que encontram na Internet é verdadeiro, que há sites que não são seguros e que não devem partilhar o e-mail só para aceder a informação, nem devem descarregar ficheiros ilegais ou potencialmente perigosos.

  1. Este site é seguro?

Explicar às crianças que antes de fazerem uma compra online precisam de avaliar se o site é legítimo e está corretamente identificado, pois se não disponibilizar uma morada ou um número de telefone, bem como informações sobre a sua política de privacidade e segurança, pode não ser credível. Uma das formas de comprovar a sua legitimidade passa por pesquisar o nome da empresa na Internet ou procurar informações acerca das experiências de outros consumidores.

Ensinar a importância de não abrir links ou sites desconhecidos/duvidosos, que podem ser uma forma de obter, de maneira imprópria, informações pessoais, nomeadamente códigos bancários e dados pessoais. Estes sites são, na maioria das vezes, bastante atrativos para convidar ao clique e o seu filho pode não perceber a diferença entre um site fidedigno e um fraudulento. Aqui, pode ajudar ter instalado um programa antivírus que, entre as suas várias funções, possui alertas para sites potencialmente maliciosos ou de fontes não validadas.

  1. Listas seguras

Criar uma lista segura de sites que os seus filhos podem visitar. A Internet pode ser um lugar perigoso para os mais novos se não for utilizada com segurança, por isso, antes de permitir que os seus filhos naveguem online assegure-se de que estão seguros, fazendo as suas próprias pesquisas previamente.

  1. Pedir permissão primeiro!

Informar as crianças de que precisam de pedir permissão aos pais se quiserem fazer alguma compra online ou, caso se sinta mais confortável, pode mesmo definir restrições e bloqueios nos dipositivos que normalmente usam, em consonância com a idade e a maturidade da criança. Esta medida é meio caminho andado para evitar algumas situações possivelmente problemáticas como, por exemplo, jogos na internet que aliciam a compras para obter certos benefícios ou atingir outros níveis.

  1. Compras integradas em jogos

Ter atenção às compras integradas em jogos e aplicações de entretenimento. A maioria pode ser descarregada gratuitamente, mas existem jogos que estimulam à compra de atualizações ou itens que ajudam a atingir níveis elevados. Facilmente as crianças são aliciadas a comprar e sem perceberem verdadeiramente o que estão a fazer.

  1. YouTube Kids

No YouTube, uma plataforma também muito utilizada entre os mais novos, é possível criar filtros de controlo parental ou restringir o uso das crianças ao YouTube Kids, aplicação criada precisamente para as crianças e que inclui também uma série de definições deste género.

  1. Filtros de controlo parental, como explicar?

Explicar às crianças que a utilização de filtros de controlo parental serve apenas para protegê-los, uma vez que este tende a ser um tópico a suscitar discussão entre pais e filhos. Por isso, explique-lhes que não servem para controlá-los, mas que são uma forma de garantir a sua segurança online.

  1. Cuidado com as formas de pagamento!

Ensinar que, caso as crianças queiram efetuar alguma compra online, devem ter cuidados relativamente à forma de pagamento. A Deco considera que o mais seguro é pagar por referência multibanco ou contra entrega, visto que em qualquer uma destas situações não está a partilhar os seus dados e, se optar pela contra entrega, tem a possibilidade de verificar se o que recebeu corresponde realmente ao que pretendia.

  1. As passwords devem ser uma segurança e não um risco

Transmitir aos mais novos que devem evitar ter apenas uma senha para todas as contas, pois isto pode comprometer a segurança online. Elucide-os que é importante anotá-las num local seguro para que não sejam esquecidas. É ainda importante que para criar uma senha devidamente segura, tenha mais de 12 caracteres, uma boa combinação de letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres. Não escolha nunca aquelas passwords que tendem a ser divulgadas com as passwords mais utilizadas no mundo. Consulte estas listas que estão disponíveis online e verifique que a sua não está entre elas.

  1. Atenção às despesas adicionais

Explicar às crianças que quando se compra online podem existir despesas adicionais, como as taxas ou custos de envio, assim como os prazos de entrega ou de execução dos serviços adquiridos. Isto porque se for uma compra efetuada dentro da União Europeia não paga direitos alfandegários, mas se for uma encomenda realizada noutros países, como os EUA ou a China, pode já não se proceder da mesma forma e acabar por pagar um valor que não estava previsto. Este é um detalhe que pode escapar aos seus filhos quando querem muito aquele jogo ou aquela camisola.

  1. Guardar faturas e comprovativos

Mostrar ao seu filho o quão relevante é guardar todos os comprovativos de transação para se precaver de atrasos na entrega do produto ou caso não chegue em condições às suas mãos e tenha que reclamar. Esta é também uma boa altura para lhe contar alguma situação desagradável que se tenha passado consigo ou com um familiar e exemplificar a importância de conservar os comprovativos da operação.

  1. Deve prevenir antes de remediar

Caso utilize métodos de pagamento virtuais, tais como o Paypal, verifique que não escolhe a opção de guardar passwords e encerre sempre a sessão depois de a utilizar, uma vez que assim evita utilizações abusivas ou inadvertidas do seu cartão de crédito por parte dos mais novos. É caso para dar uso ao tradicional provérbio: “Mais vale prevenir do que remediar”.

  1. Ver para aprender

Permitir que as crianças participem no processo de compra online de produtos para ganharem consciência prática da melhor forma de o fazer sem comprometer informações importantes ou ser alvo de fraude. Quando adquirir um produto via Internet mostre-lhe, na prática, as noções básicas de segurança de comprar online e todo o processo até ao momento de efetuar o pagamento.

  1. Responsabilizar para educar

Ensinar as crianças a usar a Internet somente quando necessário e a comprar o que realmente precisam, pois assim mostra-lhe que além de todos estes cuidados deve também ter noções de poupança. Estabeleça limites e chegue a um acordo, como permitir que usem a Internet algumas horas durante o fim-de-semana ou uma hora por dia depois de terminarem os trabalhos de casa ou outras tarefas. Quando as crianças estiverem online, é fundamental que seja conhecedor daquilo que estão a fazer para garantir a sua segurança.

No que toca à utilização da internet, os pais são os modelos das crianças e, por isso, devem agir de forma correta quando navegam ou fazem compras online para incentivar as crianças a seguir o mesmo exemplo e a terem uma postura segura quando estão sozinhos no mundo que é a internet.

Além de estar a educar o seu filho para os cuidados a ter com as compras online, aproveite o momento para passar mais tempo com ele, criando e partilhando listas de produtos favoritos, ao mesmo tempo que se diverte, lhe explica o funcionamento da Internet e transmite ensinamentos relevantes para a sua vida adulta.

Por Susana Albuquerque, Coordenadora de Educação Financeira da ASFAC – Associação de Instituições de Crédito Especializado