Nós somos o Gonçalo Castro, João Ramalhinho e Pedro Pinto, três jovens de 26 anos de Almada que publicaram em 2017 um livro de piadas secas intitulado “O Caderno das Piadas Secas – 500 Tentativas de Ter Graça”.

Se estão a ler este texto é porque muito provavelmente serão pais atentos e preocupados com a educação e com o futuro dos vossos filhos. Nós ainda não somos pais e, como irão perceber adiante, também não somos pessoas particularmente atentas e preocupadas. Mas ainda assim, consideramos que a história por detrás deste livro poderá ser do vosso interesse (é pouco provável mas não custa tentar).

Nós passamos a explicar:
O livro “O Caderno das Piadas Secas” consiste numa adaptação de um caderno em formato A5 que nós criámos em 2007 com o propósito de compilar as piadas que íamos ouvindo ou criando. Até aqui tudo bem, não fosse este nosso ‘hobby’ ter nascido durante as aulas de Filosofia do 10º ano.

Se isso se deveu à matéria enfadonha, ao método de ensino da professora ou simplesmente ao facto de sermos miúdos desatentos, nós não sabemos. Mas o que é certo é que aquele caderno foi sempre uma motivação extra para assistirmos às aulas de Filosofia. E de Inglês. E de Português. Para dizer a verdade, aquele caderno acabou por ser uma motivação extra para irmos à escola, o que só por si é algo assinalável.

Mas mais assinalável ainda foi a forma como a popularidade foi crescendo e o caderno foi conseguindo arrecadar fãs por onde foi passando, primeiro junto dos colegas da mesma turma, depois junto dos colegas do mesmo ano e mais tarde até junto dos próprios colegas de curso nas nossas diferentes faculdades. Amigos, colegas, pais, professores, ninguém conseguia ficar indiferente àquela obra, que só não era de arte porque nós tínhamos escolhido o agrupamento de ciências.

Ora, foi devido a essa crescente popularidade que nos lembrámos em 2014 de criar «O Sagrado Caderno das Piadas Secas», uma página de Facebook dedicada à partilha da monumental ‘secura’ que foi sendo compilada ao longo de vários anos no caderno. Foi através desta página que em 2017 recebemos o contacto da editora Manuscrito para a publicação do livro «O Caderno das Piadas Secas – 500 Tentativas de Ter Graça», livro esse que, um ano depois, nos trouxe aqui, a este momento, em que três jovens que eram desatentos e pouco preocupados com as aulas contam a sua história aos estimados leitores da revista Marketeer Kids.

Nesta altura, é possível que se estejam a perguntar “Mas de que forma é que a vossa história pode ser do nosso interesse?”.
Bem, é possível que o interesse da nossa história se tenha esgotado mesmo antes de começarmos a contá-la, mas ainda vamos arriscar terminá-la em jeito de ‘moral da história’:

A escola e as aulas são determinantes para a educação dos jovens, mas por vezes não existe necessidade de serem levadas tão a sério. Se os leitores estão preocupados porque os vossos filhos não prestam a atenção que deviam às aulas e andam mais focados em algo que sai fora do círculo escolar, o nosso conselho é que não desesperem. Nem todos nascem sabendo o que querem fazer da vida e às vezes é preciso darmos muitas voltas até descobrirmos o que realmente nos faz feliz.

Se querem um exemplo, olhem para nós. Apesar das nossas piadas, distrações e devaneios nas aulas, todos seguimos para a faculdade e para carreiras bem-estabelecidas. Um (o Pedro) tirou um mestrado em Engenharia do Ambiente e trabalha há três anos numa entidade gestora de resíduos; outro (o Gonçalo) é técnico de inovação e comunicação numa multinacional e bombeiro nas horas vagas; e o outro (o João) está a terminar um doutoramento em Engenharia Biomédica em Londres. O que nunca nos impediu de continuarmos com as nossas piadas idiotas.

Sabemos que cabe aos pais assegurarem que os seus filhos se mantenham focados no estudo e consigam alcançar um bom desempenho escolar, mas nem tudo na vida se resume aos estudos e às notas e é importante que haja espaço para a imaginação, para a criatividade, para os hobbies e para a socialização. Sem haver um equilíbrio entre os dois conceitos da dicotomia «estudo/distração» ao longo da educação de um jovem, dificilmente ele se tornará num adulto responsável, bem formado e que ao mesmo tempo é feliz e sabe aproveitar e dar valor ao que a vida tem de melhor.
Esta é a nossa humilde opinião e vale o que vale, mas esperamos que a sua leitura não tenha sido uma “seca”.

Para terminar, queríamos apenas deixar-vos com uma piada seca que consideramos enquadrar-se bem com o que foi dito:

– Menino Artur, o que sabe sobre Aristóteles?
– O mesmo que o Aristóteles sabe sobre mim, Professora.

Por Pedro Pinto, Gonçalo Castro e João Ramalhinho