Victoria Borodinova / Pexels

As crianças mostram ter uma disponibilidade maior para partilhar e confortar alguém do que os adultos. Estas conclusões foram retiradas de um estudo realizado pelo psicólogo infantil britânico Richard Woolfson.

A mesma pesquisa conclui igualmente que os adultos acreditam que o instinto natural de uma criança para cuidar de outras pessoas sofre alterações aos 11 anos de idade. Tudo porque os mais pequenos tornam-se mais conscientes das regras sociais, agindo menos por instinto. A pesquisa que envolveu um universo de 1.000 adultos e 1.000 crianças revelou que a bondade diminui com a idade.

67% dos adultos entrevistados afirmaram que não consideravam partilhar alimentos com outras pessoas enquanto 43% das crianças disseram exatamente o oposto, revelando que partilhavam alegremente. 38% das crianças também afirmaram que abraçariam pessoas sem motivo contra 35% dos adultos. De destacar que nesta pesquisa 96% dos adultos referiram-se a si mesmos como pessoas gentis.

Neste estudo, os participantes eram convidados a esperar numa sala de espera a aguardar a entrevista, sem saberem que estavam já sob observação. Um actor que se apresentava como assistente, “acidentalmente” deixava cair um estojo com canetas para ver a reacção dos participantes. De imediato, as crianças ajudaram enquanto os adultos se mostraram hesitantes.

“O resultado desta experiência confirmou que as crianças sentem-se mais confortáveis com outras pessoas atenciosas e gentis, uma vez que a experiência mostrou-lhes que a bondade cria uma atmosfera melhor do que o conflito e que a cooperação obtém resultados melhores”, esclareceu o psicólogo responsável.

Richard Woolfson acrescenta que “quando as crianças abandonam o mundo protegido da infância e entram na idade adulta, descobrem que as prioridades mudam, que os resultados são mais valorizados que as pessoas e que o sucesso é mais reconhecido do que a sensibilidade. Neste ambiente mais severo, a bondade perde importância e até pode ser vista como uma fraqueza. O que pode explicar a razão para os adultos hesitarem em ajudar o assistente na sala de espera”.

Este estudo concluiu também que a bondade é um estimulante natural de humor, com 52% dos adultos entrevistados a revelarem que se sentiram melhor após um acto de bondade. Também as crianças expressaram o mesmo sentimento, com metade das inquiridas a admitir que se sentiu mais feliz.

Richard Woolfson conclui que “as crianças são naturalmente mais gentis do que os adultos. É por isso que um bebé chora quando ouve gritos de outro bebé ou conforta o amigo choroso, partilhando um brinquedo”.