Tantas vezes ouvi este ditado, que nem sempre lhe atribuí a devida importância.
A partir do momento em que se tem filhos a realidade muda e ganha toda uma outra dimensão de clarividência.

As crianças adoram ajudar nas tarefas diárias, adoram sentir-se envolvidas e com responsabilidade. Ao início, queremos fazer tudo por eles e, às tantas, damos por nós ainda a querer fazer tudo quando eles já podem e conseguem… e até querem!
Dar-lhes este tempo e este espaço custa, porque começamos desde bem cedo a perceber que eles não são nossos, não nos pertencem. Mas temos de os deixar ganhar o seu espaço, o seu ritmo, a sua identidade.

Muitas pessoas acreditam que quando temos filhos se torna muito mais difícil qualquer estratégia de preocupação ambiental – até eu própria acreditava nisto até há alguns anos atrás!

É claro que temos muitos cuidados redobrados quando um bebé nasce, todas as rotinas na família se alteram para o receber. Nunca pode faltar nada e, no meio de tantas coisas descartáveis que fazem mesmo falta ao bebé, não paramos para pensar que nem tudo é, efetivamente, assim tão fundamental – provavelmente, achamos que temos de ter porque alguém disse que sim!

Mas, se pararmos um bocadinho para pensar, o que podemos realmente fazer para uma vida com crianças mais minimalista?

O segredo é pensar mais na reutilização e avaliar verdadeiramente aquilo de que precisamos.

Tempos Livres e Brincadeiras


Alternar as atividades ao ar livre – com espaço para correrem e libertarem toda a energia acumulada – com atividades mais calmas, mas que os motivem.
Para os mais crescidos, apercebemo-nos que pintar com intenção e um objetivo ambicioso é diferente e deixa-os mais focados e motivados – o último divertimento preferido lá de casa é pintar os pósteres gigantes da OMI, para depois os pendurar nas paredes do quarto. Os mais pequenos lá de casa têm ainda outra missão importantíssima entre mãos, pintar as suas bolsinhas de lanches da Roll’Eat, para mais ninguém ter uma igual!

Roupa
Se já há irmãos mais velhos, fazer uma seleção daquilo que pode ser aproveitado.
Entre amigos e familiares, ver quem está disponível para emprestar.
Visitar lojas de segunda mão, que são uma ajuda incrível para completar os guarda-roupas lá de casa – encontra-se de tudo nestas lojas, a preços muito reduzidos e em bom estado

Brinquedos

De madeira ou de borracha, livres de substâncias tóxicas e o mais naturais possível, pois nunca nos podemos esquecer que os bebés têm a predileção de colocar tudo na boca!
Descobri há uns anos os mordedores de borracha natural da Oli & Carrol e todos os adoramos lá em casa! A mais pequenina rói o brócolo afincadamente, o que é ótimo para as gengivas, e nós adultos adoramos porque sentimos que alivia muito o desconforto do nascimento dos dentinhos.

Compras e Alimentação
Local, sazonal e biológico: estas deverão ser as palavras de ordem no que diz respeito às opções alimentares – ou, pelo menos, as mais escolhidas.
Variar, dar a provar, apurar os sentidos com o palato, mas também com texturas e aromas. Visitar quintas, ou mesmo as hortas dos avós, para poderem apanhar os frutos diretamente das árvores e sentirem o seu verdadeiro sabor.

Nós temos a sorte de morar perto da praça e os nossos filhos sempre se habituaram a levar os sacos de casa para irem comprar pão, frutas e legumes – como adoram queijo, levam logo a caixinha para o colocar, sem se esquecerem dos frascos para os frutos secos!
Sabem que quando vamos ao mercado levamos sempre o nosso “kit” e adoram ser eles a prepará-lo, para garantir que não nos esquecemos de nada.

No futuro, não sabemos se vão continuar com estas preocupações, se as vão engrandecer ou minimizar, mas o que é certo é que, pelo menos para já, as fazem com gosto. Por isso é continuar!

Porque a sustentabilidade não tem de ser angustiante, tem de ser um momento feliz, que nos torna melhores no nosso dia-a-dia.

Por Sofia Catarino, co-fundadora da PEGADA VERDE, projeto de vida que partilha há 10 anos com o seu companheiro de todas as aventuras, Sérgio Miranda