O facto de as crianças terem melhores níveis dos seus marcadores biológicos, quando estão mais presentes em espaços verdes, pode ser a razão para um «maior investimento na provisão de espaços verdes perto das escolas», segundo a coautora de um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) Ana Isabel Ribeiro, em declarações à agência Lusa. Esta investigação procurava compreender (se existisse) o papel desempenhado pelos espaços verdes na saúde dos mais jovens.

A conclusão da investigação reforça os vários benefícios já apontados ao impacto dos espaços verdes na saúde pública. Nomeadamente, o facto de possibilitar a prática de exercício físico, de melhorar a função do sistema imunológico, saúde mental, aumentar a qualidade de vida, entre outros.

A investigadora esclarece, ainda, à Universidade do Porto, que «importa olhar para os marcadores biológicos, porque estes antecedem muitas patologias crónicas e fatais», pelo que estes podem ajudar a «predizer o risco de uma pessoa vir a desenvolver doenças no futuro». Além de que, estes são particularmente pertinentes «em crianças, porque a grande maioria ainda não apresenta sintomas ou tem um diagnóstico da doença. A desregulação num determinado marcador biológico constitui, portanto, um primeiro sinal».

Urge mais espaços verdes na cidade

A conclusão de que as crianças que têm pouca exposição a áreas verdes apresentam piores níveis nos marcadores biológicos analisados é mais relevante quando estas têm espaços verdes perto da escola, onde passam a maior parte do seu dia.

Por isso, os resultados desta investigação também atestam a ideia de que as cidades necessitam de mais parques e jardins «a uma distância razoável dos locais de residência e dos parques escolares», como disse Ana Isabel Ribeiro. A investigadora é, ainda, a coordenadora do projeto EXALAR 21, que está a estudar a relação entre o ambiente urbano e a saúde infantil, o qual ajudou ao desenvolvimento deste estudo.