Foto: Kristina Paukshtite / Pexels

Até ao final de Novembro de 2019, através do Programa do Rastreio Neonatal, registou-se em Portugal o nascimento de 80.714 recém-nascidos, sendo que a média de idade das parturientes têm vindo a aumentar, de forma consistente. Dados estes que nos indicam que a Geração Millennial está a ter filhos depois dos 30 anos de idade.

Mas o que significam estes dados para a saúde física e mental das mulheres? Especialistas na área de maternidade explicaram tudo ao site norte-americano Business Insider.

Fisicamente, a maior dificuldade é o facto de a fertilidade decrescer: mulheres na faixa etária dos 20 aos 34 anos têm 84% de probabilidades de engravidar, mas a partir dos 35 anos essa probabilidade desce para os 75%. Por outro lado, existe também um maior risco de anormalidades genéticas (20% a 30%), tensão arterial elevada, diabetes, trabalho de parto prematuro e cesariana, avança o ACOG (Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas).

Já no que diz respeito às questões mentais, embora o distúrbio mental seja frequentemente diagnosticado em mulheres de todas as idades durante e após a gravidez, dados do Centro de Informações em Biotecnologia norte-americano indicam que parturientes com mais de 40 anos têm três vezes mais probabilidades de sofrer de depressão quando comparadas com mulheres na faixa etária dos 30 aos 35 anos.

Mas Alyssa Dweck, conceituada ginecologista nova-iorquina, avança outras razões para a existência destes dados. “Com a idade, podem surgir outras fontes de stress, como doenças, pais idosos e stress e responsabilidades relacionadas com o trabalho”, afirma, acrescentando que os esforços potenciais de reprodução assistida – como fertilização in vitro – e os riscos de gravidez decorrentes da tentativa de conceber numa idade mais avançada podem aumentar os riscos para a saúde mental. “[É] difícil separar estas questões”.

Alyssa Sweck destaca também os benefícios de ter filhos mais tarde, afirmando que as mulheres com mais de 30 anos têm estabilidade financeira. Por outro lado, algumas investigações indicam que mães nesta faixa etária estão também mais preparadas a nível emocional e que as crianças correm menos riscos de lesões acidentais.

Mas todos os especialistas concordam que o melhor é conversar com o médico assistente sobre os factores de risco pessoais para conceber e levar a gravidez a termo.