Ser pai não é fácil! É um desafio constante e, para o qual se entra, com maiores
ou menores noções do que ele pode implicar, mas sem nunca poder saber, de facto,
como vai correr.

Será que a criança vai nascer saudável? Será que vai ter um
temperamento fácil? Será que os pais vão conseguir gerir o seu comportamento? Será
que vai aprender bem? Será que se vai dar bem com os colegas? Estas e outras questões
preocupam, naturalmente, os pais e, por mais preparação que façam para o momento,
só quando o viverem é que vão conseguir entender os verdadeiros desafios de gerir as
diferentes situações. A forma como os pais encaram todas estas situações tem impacto
no desenvolvimento da criança e, em determinados momentos, pode ser essencial
apoio psicológico neste processo, de modo a encontrar as formas mais equilibradas de
agir e lidar com cada situação e sempre no contexto particular de cada família.

Frequentemente, procuram a consulta de Psicologia pais de crianças com
queixas nas mais diversas áreas do desenvolvimento dos seus filhos: comportamento,
autonomia, gestão das emoções, aprendizagem, entre outras. A intervenção psicológica
em todas estas áreas tem sempre maior impacto quando existe uma participação ativa
dos pais na mesma, ao serem integrados no processo e serem como que coterapeutas
no mesmo. Os pais são, na maioria dos casos, as principais figuras de referência da
criança e, por isso, é da maior importância que participem nos processos de intervenção
e que orientem a criança nas novas aprendizagens. Para além disso, é também no diaa-
dia da criança, nos seus contextos de vida, que devem ser postas em prática as
competências adquiridas em processo terapêutico, o que mais justifica a importância de
os pais estarem dotados de estratégias de estimulação das mesmas nos contextos de
vida da criança. Assim, o apoio parental é aqui fundamental na orientação dos pais como
participantes ativos no processo de intervenção. Por outro lado, existem também
diversas dificuldades e problemáticas que surgem ou são influenciadas pela dinâmica
criada entre pais e filhos. Assim, para que estas dificuldades sejam eliminadas ou
diminuídas, é importante trabalhar com a criança determinadas competências a nível
individual, mas também é importante apoiar e orientar os pais através de estratégias de
atuação que permitam uma melhoria destas dinâmicas.

São, assim, diversas as situações que podem levar um pai ou uma mãe a procurar
uma consulta de apoio parental com um psicólogo, entre as quais as seguintes:
Dificuldade de Gestão do Comportamento da Criança: Em casos em que as crianças
apresentam perturbações da regulação do comportamento (e.g. comportamentos de
oposição e desafio, birras intensas, entre outros), embora dependa sempre das
particularidades de cada caso, normalmente, é importante intervir não só com a criança
diretamente ao nível da regulação emocional e comportamental ou de outras áreas do
desenvolvimento que possam estar comprometidas e a contribuir para a alteração do
comportamento, como também fornecer e orientar os pais na colocação em prática de
estratégias que melhorem a qualidade da interação com a criança, conduzindo a uma
menor frequência de episódios de comportamentos disruptivos.
Dificuldades ao Nível da Autonomia: Por vezes, são sentidas dificuldades no processo
de autonomia das crianças nas mais diversas tarefas de vida diária (e.g. vestir/despir,
comer, higiene, controlo dos esfíncteres), provocando desequilíbrio na vida familiar e
da criança. Nestas situações, importa orientar os pais ao nível de estratégias que, no
contexto de vida da família e das suas rotinas, vão promovendo a maior autonomia da
criança nos domínios onde é sentida dificuldade.
Nascimento de um Irmão/Irmã: É inevitável que o nascimento de um irmão ou irmã
implique um processo de adaptação, quer da parte da criança quer da parte da família.
Em muitas situações, os pais podem procurar orientação sobre o modo de gerir a
chegada de um novo membro à família da forma mais tranquila possível ou, no caso de
já se terem desenvolvido algumas complicações, procurar aconselhamento ao nível das
melhores estratégias a adotar no seu contexto familiar.
Dificuldades na Transição Familiar – Situações de Divórcio/Separação: Quando ocorre um divórcio, sendo ou não gerido de forma tranquila e equilibrada por ambos os
progenitores, é inevitável que exista uma alteração da dinâmica e rotina familiar para a
criança, à qual poderá ser difícil adaptar-se. Neste tipo de situações, o apoio e
orientação parental pode ser da maior utilidade ao instruir os pais sobre o tipo de
processos pelos quais a criança estará a passar como também ao nível de estratégias
que permitam gerir a nova rotina e dinâmica familiar da forma mais equilibrada e
positiva possível.
Transições Escolares Significativas: Quando a criança passa do ensino pré-escolar para
o 1º Ciclo ou, posteriormente, noutras transições significativas, mais uma vez, podem
surgir dúvidas, inseguranças, pensamentos ansiosos e alterações de comportamento
quer da parte da criança quer da parte dos pais. Nestas fases, mesmo que não se
considere que a criança esteja em situação que necessite de um apoio psicológico,
poderá ser importante e de utilidade que os pais procurem orientação acerca dos modos
mais funcionais e equilibrados de lidar com este tipo de situações, sempre no contexto
do espaço e rotinas de cada família.
Interação e Comunicação com a Equipa Escolar: Quando a criança inicia a escola,
podem ocorrer diferentes momentos em que os pais sentem que necessitam de mais
informação sobre os processos escolares ou sobre a melhor forma de lidar com a equipa
escolar para promover o melhor desenvolvimento dos seus filhos. Neste campo, os
psicólogos, nomeadamente da área Educacional, ao conhecerem a estrutura, ambiente
e conjunturas escolar e educativa, poderão ser ótimos aliados dos pais neste processo.
Um exemplo desta situação ocorre, frequentemente, quando os pais necessitam de
acompanhamento na busca de apoio escolar ao nível das necessidades educativas dos
seus filhos.

Estes são alguns de muitos exemplos de situações em que os psicólogos prestam
apoio a pais no exercício da sua parentalidade, que assume também diversas vertentes
e, por isso, só pode beneficiar de apoio técnico especializado na área.
Podemos então compreender que o desenvolvimento infantil atravessa diversas
etapas desde o nascimento até à idade adulta e, em cada uma destas, surgem novas
dúvidas e desafios para os pais, nomeadamente quando têm o primeiro filho. Mesmo
quando é o segundo ou terceiro filho, cada criança tem a sua personalidade, o seu
temperamento e os seus próprios desafios do desenvolvimento, que podem ser geridos
de modo mais harmonioso e equilibrado pelos pais ou, nalgumas situações, com
maiores dificuldades. Nessas situações, um apoio parental realizado por um psicólogo é
da máxima importância e utilidade, ao orientar os pais, no contexto do seu quotidiano,
acerca de estratégias adequadas e funcionais de promoção do desenvolvimento infantil
nas diferentes áreas.

Sou pior mãe/pai por pedir ajuda?
No campo do apoio parental, embora sejam evidentes diversas situações em que
este é essencial e os pais sintam a sua necessidade, existe com frequência também o
receio de que se necessitam de apoio ou se o estão a requerer, então a sua qualidade
como pais pode estar comprometida. Por um lado, se uma mãe/pai procura algum apoio
é porque, de algum modo, experiencia alguma dificuldade na interação ou
desenvolvimento do seu(s) filho(s) ou, de algum modo, pretende prevenir essa
dificuldade. Por outro lado, embora possa parecer uma frase feita, é um facto que, se
um pai estiver disposto a procurar apoio para exercer a sua parentalidade, este é um pai
consciente da sua ação, consciente dos seus erros e disposto a modificar
comportamentos para evoluir num caminho que implica constante aprendizagem, que
é o de ser pai ou mãe.

Assim, o exercício de uma melhor parentalidade acontece
naqueles que mais dispostos estão a aprender, a evoluir e a cometer erros, como aliás
acontece em todas as áreas da vida. Para evoluirmos temos de admitir que temos
dificuldades e que necessitamos de trabalhar e evoluir nas mesmas. Deste modo, é
importante que os pais compreendam que, ao sentirem alguma dificuldade na educação
dos seus filhos, esta não é uma questão fora do normal nem faz deles “maus pais”. São
questões que surgem com todos os pais em diversas fases da vida da criança.

Inês Teixeira de Matos, Psicóloga Educacional