“Se o cérebro de um elefante está na Índia, os seus olhos e orelhas na China e as suas patas na Austrália, o mais provável é que o elefante esteja morto e mesmo que, de alguma forma misteriosa se encontre vivo, não ouve, não vê e não anda.” Homo Deus, Uma Breve História do Amanhã-Yuval Noah Harari

 O termo inovação (innovatio, do latim), refere-se a uma ideia.

palavra ideia pressupõe a teorização de um conceito. Na Educação este conceito deve implicar  intencionalidade.

Hoje, ouvimos falar de uma sociedade em transformação dos cenários económico, social e cultural. Esta mudança cria sempre medos associados porque são desconhecidos os caminhos a desbravar e nos retiram do confortável espaço que ocupamos.

A inovação permite desenvolver instrumentos fantásticos que potenciam as nossas faculdades nos facilitam e enriquecem a nossa vida. É dever da escola acompanhar os tempos.

Como fazê-lo numa escola com um só Projeto Educativo e com sete polos distribuídos geograficamente por todo o país (Barcelos, Braga, Guimarães, Porto, Viseu, Coimbra e Lisboa)? Só em conjunto, de forma colaborativa, mesmo que isso implique perceber que os contextos locais interferem decisivamente no processo. E, para que se atinja este objetivo, há razão para pensar que o todo é sempre maior que a “soma das partes”. Terá que haver algum engenho para manter o “elefante vivo” e capaz de todas as suas faculdades.

A escola deve estar presente nesta transformação, reconfigurando os objetivos; corrigindo deficit’s formativos, repensando a avaliação e redefinindo a sua própria organização. Na procura do desenvolvimento integral do aluno deve procurar um modelo, nessa inovação, onde a articulação curricular, a introdução de metodologias que favoreçam a integração das tecnologias e a renovação dos métodos avaliativos sejam uma realidade. Por outro lado, não haverá inovação sem direções comprometidas, sem professores que traçem objetivos que os corresponsabilizem no processo e sem a colaboração das famílias.

Uma estrutura organizativa que assuma esse compromisso em torno de toda a comunidade escolar, que a ouve e prioriza a mudança, terá mais hipóteses de sucesso.

E o que representa sucesso na educação? Representa alunos implicados nas atividades, que evoluem de forma criativa, responsável e critica, que evidenciam a pré-disposição para tutorear os que tem mais dificuldades, que se mostrem abertos a desafios, que sejam autónomos e que consigam ir além do que está prescrito nos conteúdos. O sucesso deixa de ser a marca distintiva, quantitativa e subjetiva de uma classificação para ser visto numa avaliação do Saber construído pelo aluno.

Hoje acreditamos no poder da escola e na função de equalização social e a “escola Inclusiva” de que tanto se fala assim o comprova. A igualdade de oportunidades, salvo raras exceções, é uma realidade. Mas ela só existe nas oportunidades durante o período de formação, portanto à entrada da escola. Porque à saída isso tende a não ser verdade. À saída, o processo de formação, se funcionou, acabou por criar os desníveis próprios, que a sociedade instituiu com um tipo de avaliações.

É aqui que a escola tem o dever de alertar os alunos para a formação contínua, o dever da atualização constante. Resumindo, quer por impulso próprio ou institucionalizado as oportunidades na pós-formação surgirão, “se sim”.

Porque investimos na Inovação Escolar na Escola Profissional Profitecla?

Primeiro porque é uma Escola Profissional e este ensino só constitui uma alternativa se a praxis o refletir. Depois, porque entendemos que é um ensino que se presta à utilização de novas metodologias, à utilização de novas ferramentas e a preparar os alunos para a realidade das tais oportunidades que são litigadas na saída da escola. E por fim, mas não menos importante, é que acreditamos que só num contexto de educação em evolução, com uma pedagogia que responda às necessidades da sociedade, poderemos proporcionar aos alunos uma co construção de resoluções em contexto com os conhecimentos e competências que vão apresentando.

É disso exemplo a criação das Salas “A Creditar” que são espaços que facilitam a aprendizagem. Só por si, estes espaços não conseguem essa promoção. Há que criar nos docentes a apetência para a utilização de novas metodologias de docência, de co docência, que só o desafio do trabalho por Projetos consegue. Só assim teremos alunos com um saber que para além de construído por eles próprios e portanto compreendido pelos mesmos, se apresenta prospetivo, que os direciona “para lá” do que está mimeticamente compreendido e os impulsiona para debates mais aprofundados, especulativos e portanto, suportes da criatividade, da fecundidade imaginativa e do espírito crítico.

A escola proporciona ao aluno condições propícias para aprender e apreender. Assumir esta premissa é transversal a todos os agentes escolares. A questão é o compromisso desses agentes em fazer com que o educando participe no seu grupo ativa e afetivamente, apropriando-se de valores, conhecimentos e referenciais sociais/históricos para que, deste modo, se torne, no futuro, uma pessoa responsável pela transformação da realidade em que está inserido. Porque a Escola é local de transformação e a forma “como se aprende” torna-se tendencialmente diminuída na sua expressividade porque aprender é um universo vago. Talvez “como se educa” refletirá melhor a nossa busca, na medida em que permite transcender a aplicação dos conteúdos apreendidos.

O ensino-aprendizagem acontece através do diálogo aberto com os alunos, identificando problemas, levantando hipóteses, analisando e sintetizando ideias, descobrindo e estabelecendo relações. Atualmente, saber lidar com novas situações, com as tecnologias, ter estratégias de resolução, conviver em grupo e saber relacionar-se são características obrigatórias, dentro e fora da escola. Em suma, o importante não é aprender, mas aprender a aprender. A crise dos valores e a sua repercussão nas instituições escolares é também produto da expansão desordenada que o sistema educacional sofreu nos últimos anos. Trata-se, fundamentalmente, de uma crise de qualidade decorrente da improdutividade que caracteriza as práticas pedagógicas e a gestão administrativa da grande maioria das escolas.

É despertando para uma escola diferente, assumindo que o modelo existente não tem produzido resultados satisfatórios, que poderemos garantir o futuro das escolas e dos alunos. Esse futuro deve assegurar que os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, devem ser especialistas em Interpretar sonhos. Porque trabalhamos com faixas etárias em que o Sonho está sempre presente. E deve ser estimulado. Perceber isto é compreender o processo motivacional que tem que ser conquistado. Não queremos que esmoreça o sonho e se asfixie a utopia.

Por Pedro Castro, director Pedagógico da Escola Profissional Profitecla